Press Release: O novo parque da Quinta de Salgueiros resulta de uma proposta conjunta da Faculdade de Ciências da U.Porto e da Câmara Municipal do Porto.
E se houvesse na cidade do Porto um laboratório vivo: um autêntico espaço de experimentação científica em ambiente real? Com menos estrada e muito mais verde: entre carvalhos, sobreiros e salgueiros? Este é o desafio a que se propõe o projeto internacional NBRACER, no qual uma equipa de arquitetos paisagistas e biólogos da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), em conjunto com a Câmara Municipal do Porto, trabalha na recuperação da Quinta de Salgueiros, uma antiga quinta de recreio, atualmente abandonada e que fica na zona de Campanhã, junto à VCI.
“O projeto aposta numa abordagem integrada que alia desempenho ecológico, fruição social e aprendizagem. O nosso objetivo é criar manchas de matas autóctones e a renaturalização das ribeiras existentes para favorecer a biodiversidade nativa, e instalar também uma barreira arbórea para mitigar o impacto visual da VCI”, conta Paulo Farinha Marques, docente da FCUP e arquiteto paisagista que lidera a equipa projetista deste trabalho.
A equipa da FCUP quer usar esta área verde para também “cerzir território”, ligando as populações da zona de Contumil e das Antas, atualmente separadas pela Via de Cintura Interna.
Neste novo espaço existirá ainda um jardim de camélias e outras espécies ornamentais, para celebração da biodiversidade cultivada, bem como percursos acessíveis e áreas de recreio (infantil e desportivo), para usufruto da população local.
Com conclusão da primeira fase da intervenção prevista para 2027, o Porto BioLab – Parque da Quinta de Salgueiros terá uma forte componente de “laboratório vivo”. Por outras palavras: um espaço de experimentação científica em ambiente real. “A área estará aberta à comunidade académica e técnica como plataforma para testar novas abordagens em ecologia urbana e aplicação de soluções baseadas na natureza”, acrescenta José Miguel Lameiras, arquiteto paisagista e docente da FCUP que é também coordenador deste projeto.
Para além de servir a ciência, este espaço terá ainda uma dimensão pedagógica, acolhendo iniciativas ligadas à educação ambiental e à valorização da natureza na cidade, em articulação com escolas e outras organizações.
O projeto foi apresentado à comunidade numa sessão pública no passado dia 18 de julho, no qual Paulo Farinha Marques apresentou a proposta de intervenção para o novo parque. No evento, o docente da FCUP salientou a importância da mancha verde que se pretende recuperar. O objetivo deste novo espaço é melhorar a qualidade de vida das pessoas, potenciando outros serviços e contribuindo para a resiliência climática.
Do estudo prévio à intervenção e implementação
A equipa da FCUP tem realizado um conjunto de estudos de base ecológica e territorial, com campanhas de campo em curso desde a primavera de 2024 para levantamento de habitats, flora e fauna. O objetivo é acompanhar e fazer uma avaliação ecológica do local antes, durante e após a obra.
Os investigadores da FCUP estarão também envolvidos na elaboração do projeto de execução e que servirá de base à concretização da obra, à qual darão também apoio técnico.
Estão também envolvidos neste trabalho os docentes e arquitetos paisagistas, Maria José Curado e Isabel Martinho da Silva e os investigadores Filipa Guilherme, Ana Rita Araújo, Manuel Gentil Rebelo e Josephine Hendriksen.
O Porto BioLab é uma ação demonstrativa do NBRACER – Nature Based Solutions for Atlantic Regional Climate Resilience –, financiado pelo Programa Horizon, que define uma linha de base e fornece novas soluções para progredir na jornada regional para a resiliência, integrando seis países europeus, oito regiões atlânticas, 29 parceiros, num investimento de 17,4 milhões de euros.
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